domingo, 19 de novembro de 2017

Mais furacões e tempestades nos Açores

Mais furacões e mais tempestades nos Açores é o que prevê o Programa Regional para as Alterações Climáticas.

Os Açores, pela sua condição arquipelágica, apresentam um conjunto de caraterísticas que os tornam mais vulneráveis às alterações climáticas. Sobretudo pela concentração de infra-estruturas e pela localização de aglomerados populacionais nas zonas costeiras, o que faz com que estejam mais susceptíveis a sofrer os efeitos de situações extremas como consequência dos fenómenos naturais do aquecimento global.

A médio e longo prazo há uma tendência clara de aumento de temperatura nos Açores e também um ligeiro aumento de precipitação. No Inverno haverá uma tendência para aumento de precipitação, enquanto no Verão haverá menos precipitação. Quanto à temperatura “é mais linear” embora haja uma tendência para um aumento de temperatura entre 2070 e 2099, onde haverá também uma tendência para a subida do nível médio do mar em cerca de um metro, mais furacões e mais tempestades.

O cenário foi apresentado pelos responsáveis pela elaboração do Programa Regional para as Alterações Climáticas dos Açores (PRAC), onde se explicam algumas das vulnerabilidades a que poderão estar sujeitos os Açores e algumas medidas para as minimizar.

Em relação à agricultura e florestas, o PRAC aponta que poderá haver vulnerabilidades ao nível da redução de área semeada em caso de seca, apontando o tabaco, as frutícolas e a beterraba como as culturas mais afectadas com as alterações climáticas, referindo também que o incenso será a espécie invasora com mais alterações. Neste sentido, a medida a adoptar será a monitorização da lagarta da pastagem, ao mesmo tempo que se deverá reavaliar as necessidades de armazenamento de água e técnicas que aumentem a capacidade de retenção de água no solo.

Em relação às pescas, as alterações climáticas poderão trazer vulnerabilidades ao nível da abundância de recursos, havendo a possibilidade de variabilidade interanual da abundância de recursos, e também havendo a destruição de estruturas com a possibilidade de aumento de furacões, tempestades e subida do nível do mar. Para estas vulnerabilidades, são apresentadas como medidas preventivas a utilização de ferramentas de deteção remota para a identificação de áreas de ocorrência de peixe.

Ao nível das vulnerabilidades para os serviços, pessoas e bens, o PRAC avaliou a possibilidade de ocorrência de ciclones, precipitação extrema, movimentos de terra e cheias. Como medidas para mitigar estas vulnerabilidades, o PRAC apresenta o reforço do uso do solo, a delimitação de áreas de risco e a utilização de sistemas de protecção e drenagem e recuperação de permeabilidade do solo, ao mesmo tempo que se deve apostar na sensibilização pública sobre os riscos.

A localização geográfica e climática da nossa Região também permite que possa ser um laboratório para a implementação de políticas ambientalmente limpas e a concretização de medidas de combate aos efeitos das alterações climáticas.


Notícia: jornal «Correio dos Açores».
Saudações florentinas!!

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