quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

«Brumas e Escarpas» #114

A Fajã do Rodovalho

Cuida-se que Gomes Dias Rodovalho e sua mulher Beatriz Lourenço Fagundes foram o primeiro casal que ocupou o território da ilha das Flores onde se situa actualmente a freguesia da Fajã Grande. Mas o filho de Diogo Vaz Rodovalho e de Maria Esteves Cansado, para além de fundador da Fajã Grande, também foi capitão-mor e ouvidor da ilha das Flores, sendo possuidor de muitas terras e, por isso mesmo, ficou sempre ligado à história da ilha e não apenas da Fajã Grande, já que terá sido ele o principal responsável pelo povoamento definitivo da maior ilha do grupo ocidental, iniciado por volta de 1504. Gomes Dias Rodovalho terá sido o primeiro capitão-mor, ouvidor e “sesmeiro” na ilha das Flores.

Sabe-se que era de origem francesa e que nasceu em Viana do Alentejo, junto de Évora, por volta de 1480, descendendo da Casa de Rodovalho, uma das mais importantes da Baixa Normandia (França). A sua mãe, Maria Esteves Cansado, era natural de Viana do Alentejo.

Na posse da ilha das Flores, sucedeu aos Teives e aos Telles, uns e outros desinteressados pela ilha, abandonando-a e fixando noutras paragens, uma vez que, sobretudo os Teives, estavam mais interessados em explorar a cana-de-açúcar na ilha da Madeira.

Sabe-se que foi o novo capitão-donatário das Flores, João da Fonseca, conterrâneo de Rodovalho, que o levou para as Flores, juntamente com outros colonos, com o intuito de o ajudar a povoar a ilha. Com eles terão chegado outros nomes conhecidos: Diogo Pimentel, Antão Vaz, Lopo Vaz, os irmãos Rodrigo Anes e Álvaro Rodrigues, Pedro Vieira e João Fernandes, tendo alguns deles perpetuado os seus nomes nos lugares da ilha que, provavelmente, ocuparam ou lhes pertenceram. Por essa altura, ou seja, no início do povoamento definitivo terão chegado outros colonos, entre os quais, os irmãos António e Pedro Fraga – com as respectivas mulheres – e Jordão Rodrigues, Gonçalo Anes Malho e João Fernandes, também eles a deixar registos da sua presença na toponímia da ilha.

Assim a Fajã Grande, a exemplo da Fajã de Lopo Vaz, da Fajã de Pedro Vieira, do Ilhéu de Álvaro Rodrigues, poder-se-ia muito bem ter chamado Fajã de Gomes Dias Rodovalho, ou simplesmente, Fajã do Rodovalho. Mas confesso que este último nome não soaria muito bem, podendo prestar-se a confusões ou graçolas.


Carlos Fagundes

Este artigo foi (originalmente) publicado no «Pico da Vigia».

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Escolas encerradas por precaução

As escolas das ilhas das Flores e do Corvo vão estar fechadas durante o dia de hoje devido à previsão de agravamento das condições meteorológicas.

O secretário regional da Educação determinou o encerramento das escolas nas ilhas das Flores e do Corvo durante o dia de quarta-feira (hoje). Esta decisão teve ainda em conta o facto de as Câmaras Municipais das Lajes e de Santa Cruz terem decidido suspender o transporte escolar neste dia.

De acordo com a delegação regional dos Açores do IPMA, as rajadas de vento poderão chegar aos 150 quilómetros nas ilhas das Flores e do Corvo, soprando de sudoeste e rodando para oeste. Estão ainda previstas ondas entre os oito a nove metros no grupo ocidental. “É possível precipitação pontualmente forte, que eventualmente poderá vir a ser acompanhada de trovoada”, adiantou a meteorologista Patrícia Navarro.

O alerta vermelho vigora entre as 20 horas de hoje e as 5 horas da manhã de quinta-feira. Este aviso é antecedido por um alerta laranja para vento a partir das 11 horas e outro igual para a agitação marítima a partir das 14 horas.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental» e RTP Açores.
Saudações florentinas!!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Problemas com a selagem da lixeira

O deputado florentino João Paulo Corvelo denunciou a existência de problemas com a selagem da lixeira de Santa Cruz, uma situação que o Governo Regional reconhece, referindo que a correção do problema está a seguir os trâmites legais.

“É notório que a obra de selagem da lixeira foi mal executada, sendo que os plásticos esvoaçam à vista de todos, demonstrando que está em causa a estabilização, o confinamento e a impermeabilização da massa de resíduos da antiga lixeira”, afirma o deputado regional do PCP.

No requerimento endereçado ao Governo Regional, o deputado João Paulo Corvelo adianta que a “antiga lixeira de Santa Cruz está numa zona de declive acentuado, junto a uma linha de água, constituindo assim um elevado perigo para o ambiente e para a saúde pública dos habitantes da zona”. O deputado florentino quer ainda conhecer o relatório de fiscalização da obra e quando serão corrigidos os problemas.

O Governo Regional investiu 1,2 milhões de euros, dos quais 85% foram comparticipados por fundos comunitários, para efetuar a selagem das duas lixeiras que existiam na ilha das Flores, nos concelhos de Santa Cruz e das Lajes.

O diretor regional do Ambiente reconheceu a existência de uma falha na execução do projeto, sustentando que “o defeito foi identificado na recepção da obra” e quer o projetista, quer o empreiteiro “já foram notificados para apresentarem uma alternativa. O Governo Regional aguarda que seja apresentada uma solução dentro dos prazos legais, uma vez que a obra está dentro das garantias”, afirmou Hernâni Jorge, acrescentando que estima receber uma proposta de intervenção ainda esta semana.

O governante indicou que a obra foi concluída a 28 de Março.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental».
Saudações florentinas!!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Luís Maciel e restantes vereadores da CMLF foram multados pelo Tribunal por falta das contas da empresa municipal

O Tribunal de Contas multou o presidente e todos os vereadores da Câmara Municipal de Lajes das Flores, por não terem remetido as contas consolidadas da empresa municipal Ocidental Mais.

De acordo com o relatório da auditoria, em causa estão as contas relativas a 2014 que aquela empresa municipal deveria ter enviado para o Tribunal de Contas no ano seguinte, situação que já tinha originado a aplicação de uma multa ao presidente do conselho de administração da Ocidental Mais, João Lourenço, antigo presidente do município, do PSD.

Agora foi a vez do socialista Luís Maciel, que preside à Câmara Municipal das Lajes, e o restante elenco camarário, o vice-presidente Paulo Reis e os vereadores Maria Victorina Silveira, Carlos Alberto da Silva e Armindo Câmara, serem também multados pela mesma razão.

Desta vez, porém, o valor das multas é substancialmente mais elevado do que aquele que foi aplicado ao anterior presidente da Câmara (entre 510 e 4.080 euros), que figurava como presidente da administração da empresa municipal (em regime de acumulação) apesar de já não desempenhar funções de gestão. Agora, o presidente e os vereadores da autarquia das Lajes vão pagar, cada um, uma multa que varia entre os 2.550 euros (se for paga voluntariamente) e os 18.360 euros (se o processo se arrastar no tempo).

Luís Maciel e os vereadores ainda alegaram, em sede de contraditório, que “era impossível ao município de Lajes das Flores, proceder à elaboração de contas consolidadas de 2014, por simplesmente (e por motivos a que o Município é totalmente alheio) não dispor das contas individuais da empresa municipal”. Os juízes conselheiros que analisaram o caso entenderam, porém, que houve “negligência” nesta matéria, na medida em que as contas da Ocidental Mais relativas a 2014 “foram objeto de registo comercial em 17-07-2015”, considerando que não é compreensível a “inércia do Município” que, decorrido quase um ano, vem ainda alegar não dispôr das contas daquela empresa.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental» e revista NO.
Saudações florentinas!!

domingo, 4 de dezembro de 2016

Nova peça de teatro infantil pela Jangada

Na próxima sexta-feira (dia 9) A Jangada - Grupo de Teatro apresenta em estreia a sua nova peça infantil “Luisinha a tagarela”. O espetáculo terá lugar no Museu municipal das Lajes pelas 13h30.

A peça de teatro infantil «Luisinha a tagarela» é mais uma história da autoria de Fernando Oliveira, com direção artística de Joaquim Salvador, música de Fernando Manuel dos Santos e cenografia a cargo do Departamento de educação artística e tecnológica da Escola Básica e Secundária da ilha das Flores. O elenco conta com as actuações de Domingos Fontoura, João Mário Cardoso, Lília Silva, Nídia Mendonça e Teresa Moreiras.


Notícia: "sítio" da Câmara Municipal de Lajes das Flores.
Saudações florentinas!!

sábado, 3 de dezembro de 2016

Jovem florentino será ordenado diácono

Jacob Vasconcelos, natural da freguesia de Ponta Delgada, vai ser ordenado diácono na próxima 5ª-feira.

Afável, sorridente e com uma energia inesgotável, quando se passa com ele na rua parece que conhece meio mundo e arredores. De uma enorme disponibilidade, este jovem florentino vai ser ordenado diácono no próximo dia 8 de Dezembro. Será um dos dois padres diocesanos de fora de São Miguel nos próximos seis anos. Está no Seminário há oito anos. Chegou à Casa com 15 anos para frequentar o ensino secundário, com a “certeza” de que queria ser padre. Desde pequeno que brinca como se já o fosse. Diz quem conhece o seu baú das recordações que até estolas em miniatura tinha no seu armário.

Jacob Vasconcelos, hoje com 23 anos, é um dos jovens mais preparados para o sacerdócio sem deixar de ser um jovem comum atento ao mundo e ao que gira à sua volta, generoso e sempre próximo. Ainda assim, na entrevista que dá ao "sítio" Igreja Açores, diz que gostaria de cultivar mais a sua disponibilidade para com os outros porque “ainda há muito a fazer”. Gostava de ver mais “respostas generosas e comprometidas”, sobretudo dos jovens e afirma que o “ardor de evangelizar” com a sua vida é que lhe vai tirar o sono.

“Sou de personalidade inquieta e enérgica por natureza, pelo que julgo que, para além das preocupações do dia-a-dia, irá incomodar-me, no sentido mais positivo do termo, a necessidade de levar o Evangelho às pessoas, pela palavra, pelos sacramentos, pela minha atitude coerente de vida e por todos os meios possíveis e necessários que estiveram ao meu alcance”, afirma Jacob Vasconcelos.


Notícia: portal «Igreja Açores».
Saudações florentinas!!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

CMLF homenageia Gustavo de Fraga

A Câmara Municipal de Lajes das Flores realiza hoje uma cerimónia de homenagem ao professor Gustavo de Fraga, através da colocação de uma placa de homenagem na casa onde nasceu, e através da atribuição de uma rua com o seu nome. A cerimónia pública de homenagem terá início pelas 11 horas, junto ao Rossio na freguesia da Fajãzinha.

Gustavo de Fraga nasceu na freguesia da Fajãzinha em 1922 e faleceu em Ponta Delgada (São Miguel) em 2003. Figura maior da intelectualidade portuguesa, Gustavo de Fraga foi professor catedrático da Universidade de Coimbra e um dos fundadores da Universidade dos Açores, onde foi vice-Reitor e o primeiro presidente do Concelho Cientifico. É autor de uma vastíssima obra, onde sobressaem os estudos filosóficos e estudos relativos a temáticas açorianas, os quais permanecem ainda hoje referências no universo científico nacional e ocidental.

A Câmara Municipal de Lajes das Flores convida toda a população a participar nesta homenagem.


Notícia: "sítio" da Câmara Municipal de Lajes das Flores.
Saudações florentinas!!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Opções da SATA prejudicam as Flores

O deputado florentino João Paulo Corvelo apresentou um requerimento questionando o Governo Regional sobre a opção da SATA em utilizar nas ligações com a ilha das Flores uma aeronave de menor dimensão e que transporta menos pessoas.

A opção da SATA de utilizar o Dash Q200 no único voo que realiza às terças e quintas-feiras para a ilha das Flores provoca grandes dificuldades aos florentinos que pretendem sair ou regressar à sua ilha, bem como sérios prejuízos à economia local. Trata-se de uma opção ainda mais difícil de entender considerando que, nesses dias, o voo de e para as Flores não efectua ligação com a ilha do Corvo.

Assim, o deputado florentino João Paulo Corvelo quer conhecer as razões para esta opção e questiona o Governo Regional sobre se estará disponível para alterá-la e passar a realizar estes voos com o avião Dash Q400, assim aumentando a disponibilidade de lugares e carga, prestando um melhor serviço a quem vive e trabalha na ilha das Flores.


Notícia: jornal «O Breves».
Saudações florentinas!!

domingo, 27 de novembro de 2016

Monitorização das nossas zonas costeiras

O Governo Regional vai instalar sistemas de monitorização de zonas costeiras onde a vulnerabilidade de pessoas e bens é elevada, anunciou o secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia.

Gui Menezes começou por explicar que o Governo Regional vai continuar “a responder aos desafios impostos pelas alterações climáticas e riscos naturais na orla costeira do arquipélago. Para tal, este Governo irá prosseguir as intervenções para a proteção das zonas costeiras, especialmente aquelas que estão identificadas como mais vulneráveis aos riscos de erosão e onde a ocupação do território é mais intensa”.

Segundo o governante, vão ser implementados “sistemas de monitorização de zonas costeiras onde os riscos de erosão são conhecidos e a vulnerabilidade das pessoas e bens é elevada, permitindo a mitigação dos impactos por sistemas de alerta em tempo real”.

“A prevenção e a mitigação dos riscos decorrentes da erosão costeira exigem que sejam implementadas medidas de ordenamento do território no quadro dos Planos de Ordenamento da Orla Costeira”, declarou o secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, defendendo a necessidade de prosseguir com “o processo de revisão e atualização” destes documentos.

Gui Menezes anunciou ainda a intenção de “reforçar a coordenação regional da fiscalização do mar dos Açores com a Marinha, a GNR e a Força Aérea, e continuar a apostar na utilização de meios tecnológicos para melhorar a eficácia da atividade inspetiva”.


Notícia: jornal «Açoriano Oriental».
Saudações florentinas!!

sábado, 26 de novembro de 2016

«Brumas e Escarpas» #113

As casas da Fajã Grande na década de cinquenta

Na década de cinquenta do século passado, as casas da Fajã Grande, sobretudo as das famílias menos remediadas, eram muito simples e pobres. Embora já todas fossem cobertas de telha, o que não acontecia no final do século XIX, muitas ainda eram de chão térreo, sobretudo as cozinhas. Limitavam-se a quatro paredes grossas e toscas, a um tamanho muito escasso e com altura apenas suficiente para conter uma porta por onde passasse um homem alto sem se curvar muito. Os tectos eram de telha canelada sobre uma armação de madeira, com a porta traseira da cozinha a ser a principal e a mais utilizada.

Apesar de pequenas, a maioria dessas casas albergava mais de uma dezena de pessoas, incluindo o pai, a mãe, mais de meia dúzia de filhos e geralmente uma ou duas avós ou uma tia velhinha e adoentada. As paredes exteriores de muitas das casas nem eram caiadas e até o interior de algumas cozinhas também era de pedra. Eram divididas em dois ou três compartimentos por meio dum frontal de madeira, ou, nalguns casos, até por cortinados de pano.

A cozinha era a parte maior, mais tosca, mais escura e também a maior da casa. Para além de cozinha servia de sala de jantar, sala para o serão e para as visitas, sala de banho, local de arrumos da lenha e das batatas e até servia para descascar e guardar o milho, sendo este dependurado nos tirantes do tecto. O seu tamanho, no entanto, reduzia-se bastante porquanto a maioria tinha dentro o forno e o lar.

Cada casa, geralmente, tinha duas portas sendo a porta de trás a mais utilizada no dia-a-dia e na faina diária. Muito escura durante a noite, nos longos serões de Inverno, a cozinha era tremulamente iluminada por uma candeia com um pavio de pano alimentado a enxúndia de galinha. A maioria não tinha chaminé, saindo o fumo por entre as telhas, sem no entanto muito dele, antes de sair, encher a cozinha pintando-a de tisna.

O compartimento central, chamado sala ou casa de fora, onde se recebiam as visitas importantes e o Senhor Espírito Santo, era também utilizado como dormitório dos filhos, geralmente dos rapazes, amontoados em uma ou duas enxergas, muitas vezes deitados ao travessar a fim de caberem todos. Finalmente o quarto, a divisão mais pequena, com duas camas, uma para o casal outra para as filhas e para a avó velhinha. Era também no quarto que se guardava a roupa domingueira e entre as camas era colocado o berço.

Em frente à porta de trás da cozinha, quase todas as casas tinham um pátio, que geralmente servia para albergar os chiqueiros do porco e das galinhas. O andar de baixo ou loja também estava divido: uma parte era destinada a guardar o gado, enquanto a outra servia para arrumos e de nitreira.


Carlos Fagundes

Este artigo foi (originalmente) publicado no «Pico da Vigia».